O barco

Eu sou Cáron, o barqueiro. Levo as almas para o mundo dos mortos. Mas só entra neste barco quem deixar uma moeda!

Janeiro 02, 2005

 
Teste

Outubro 24, 2004

 
teste


 
teste

 
teste. quereo saber se esse serviço ainda esta no ar. Se der certo, vai ser uma maravilha!!

Dezembro 16, 2002

 
O submundo

Finalmente, terminamos!

Criar um processo de entrega de almas não foi nada fácil. Mas agora tudo está esquematizado, processado e arquivado. Devo confessar que não imaginava que gerenciar um inferno fosse tão trabalhoso. Agora reconheço que meu empreguinho tem uma função muito mais nobre do que apenas levar um bando de fantasmas de um lado para o outro (ótima oportunidade para exigir um aumento).

Vou explicar como tudo funciona.

O submundo foi dividido em três regiões: Campos Elísios, Ébero e Tártaros. Para o primeiro vão as almas virtuosas e que merecem o descanso eterno (com uma quantia irrisória é possível garantir uma vida sem purgações). A região mais próxima da crosta terrestre foi chamada de Ébero; é a entrada do submundo, onde as almas vagam por uns cem anos enquanto aguardam o julgamento para saberem se sobrem... ou se descem (quem não trouxer meu pagamento, fica por aqui mesmo). Os espíritos condenados vão para o Tártaros, a parte mais baixa do submundo. Esses ficarão mais perto do Mestre, já que é onde se encontra seu palácio (protegido por uma tríplice muralha de bronze e rodeado pelo Estige, o rio das dores).

Depois de uns mil anos no Ébero, os mortos podem passar pelo júri para tentar uma reencarnação na Terra, com outro corpo. Mas, antes de deixar as regiões do domínio de Hades e voltar à vida, as almas precisam beber a água do rio Lete, que apaga as lembranças de vidas passadas. Os coitados do Tártaros não tem essa chance: só sairão de lá por um motivo supremo (se o enxerido do Zeus intervir).

Eu fico na entrada do Ébero, navegando pelo Aqueronte (formado pelo rio das lágrimas, o Cócito, e pelo rio de fogo, o Flegetonte). O Cérbero vai proteger o outro lado da margem, para ninguém escapar. Hecate escolheu a bifurcação entre o Flegetonte, o Cócito e o Aqueronte para montar seu escritório e se preparar para as saídas noturnas, quando mostrará aos mortais suas belas faces lunares.

O resto (as Erínias, as Moiras, as Háprias, as Górgonas e o Tânatos) vai ficar vagando por ai, fingindo que trabalha. Diria que, no organograma infernal, eles são os peões. (nada pessoal)

Agora estamos na fase de medir resultados. Se tudo correr bem, a estratégia permanece. A expectativa é aumentar 20% a nossa estrutura no próximo ano. Vai depender das condições do mercado.


Dezembro 09, 2002

 
Estamos em reforma aqui. Depois do seminário da SIPAT, tivemos que reorganizar os processos (ou criar processos), montar cronogramas, especificar tarifas. Enfim, colocar a ordem no inferno porque a meta é conseguir a ISO 9000 e ISO 9001.

Não vejo a hora de tudo voltar ao normal para contar os babados fortes que tem acontecido por aqui.

Novembro 29, 2002

 
Passei correndo.

Novembro 13, 2002

 
Esperança

Assim não dá!
Ficamos todos esses dias sem servidor.
Parece que depois de Pandora, Hefesto, o deus ferreiro (na verdade é metalúrgico, mas esse termo não está sendo usado porque temem que ele se candidate a presidente do Olimpo), não faz mais nada direito.

Apesar de filho do Grande (não-tão-grande-assim) Zeus e da Grande (cobra-venenosa) Hera, Hefesto sempre é explorado pelos demais olimpíados. Faz armas, jóias, armaduras; cuida da infra-estrutura da rede, dá suporte, presta serviços em geral. Num desses trabalhos, fez Pandora, a de muitos dons.

De uma beleza rara até mesmo entre as deusas, Pandora nem parecia ter sido moldada de argila. Logo que foi animada por Atena, ela recebeu de cada deus talentos e qualidades: Afrodite deu-lhe a beleza; Hermes, a fala; Apolo, a música (só esqueceram de dar cérebro e inteligência).

A mais doce e jovem criatura, na verdade, não passava de uma venenosa armadilha para os irmãos Prometeu e Epimeteu.

Depois que Prometeu roubou o fogo para dar aos mortais e que Epimeteu deu pêlo aos animais (para que não morressem de frio), Zeus teve um piti. Ficou realmente furioso. Mandou o mula-manca do Hesfeto construir, além de Pandora, uma arca. Se a primeira recebeu os dons dos deuses, a segunda foi recheada com todos os tipos de males conhecidos por Eles. (que não são poucos)

Prometeu, o que pensa antes, havia advertido Epimeteu para que nenhum presente do Olimpo fosse aceito. Mas Epimeteu, o que pensa depois, não resistiu à doçura de Pandora e recebeu o kit (mulher de argila + arca de ouro). Ingênuo, ele advertiu Pandora que JAMAIS tocasse na arca.

Nessa história não sei quem foi mais burro: se Epimeteu, por ter realmente acreditado que uma mulher resistiria a uma caixa fechada; ou se Pandora, que deve ter fantasiado mil coisas a respeito da caixa.

Enfim, Pandora abriu a arca e, sem querer, espalhou todos os males que a humanidade conhece há séculos: desilusão, doenças, ódio, crimes, ciúmes, traição, pobreza, fome. A única coisa que restou foi a Esperança – a mesma que mantive até que o servidor voltasse ao ar.

Novembro 06, 2002

 
Perséfone e Deméter

Perceberam a mudança no tempo, fora de época, né?
Tudo culpa da demi-mondaine infernal!
Depois que provou o fruto proibido, não consegue mais ficar longe daqui tanto tempo.
Daí fica nesse vai e vem fora de época. E a mamãe dela, aquela que dá de alimento aos mortais, fica tendo ataques estéricos, crises depressivas e mudando o tempo toda hora!

Vou-lhes contar…

Diz a lenda que a tola e bobinha Coré estava a brincar com toda sua juventude nos imensos jardins da casa de sua mãe Deméter, a deusa da terra. Nesse momento, Vênus (claro, quem mais), entediada com a vida, resolveu se divertir. Fez com que Core se aproximasse de uma das entradas daqui do subterrâneo no momento que o Mestre Hades estava saindo para o passeio matinal. Daí, PIMBA! Atingiu o Mestre com a fecha do Cupido! (Vênus desmente essa versão, diz que foi “um acidente”. Boatos no Olímpo falam de “ciúmes”)

Louco (mais que o normal) de amor (e cego, enfeitiçado, amaldiçoado, fora de si), Hades trouxe Core aqui pra baixo. (as más línguas dizem seqüestro, mas acho um termo muito violento).

Desesperada (e chata, como toda sogra), Deméter implorou ajuda aos coleguinhas divinos. Mas todo mundo sabe que ninguém volta vivo do reino dos mortos (lógica pura, simples e racional). E essa senhora entrou em crise: a terra ficou estéril, as plantações começaram a morrer, os mortais começaram a reclamar. Daí o Todo-Poderoso resolveu intervir.

Ele (Zeus) feio até aqui bater um papinho com o Mestre para a menina voltar para o colo da mamãe. Mas o Mestre não é bobo: tinha oferecido pra tola Coré as sementes de romã (isso é o que diz a lenda. Pra mim, Core não era tão ingênua quanto dizem e... não comeu apenas sementes). E é claro, todos os mundos sabem, ninguém sai do Inferno se já comeu algo nele.

Zeus ficou embaraçado. Não sabia o que fazer. Até que teve a brilhante (e imbecil) idéia: Coré viveria 6 meses com a mãe e os outros 6 meses com o marido, aqui.

Deméter não viu com bons olhos o acordo de Zeus (e como detesta dar o braço a torcer) e resolveu se vingar. Desde então, toda vez que sua amada filha está longe (traduzo: toda vez que Core se entrega aos braços de Hades), a terra fica podre, morta, doente. O tempo fica cinzento, frio. (chantagem de mãe, entendem?). Daí os mortais burros colocaram o nome de inverno... E primavera é o período que nós (eu, a Hecate e o Cérbero) estamos felizes, já que a dama infernal está com a mamãe.

O mais bizarro da história é que, depois de comer o fruto, Coré virou Perséfone. (a bruxa. O ser mimado que manipula e exige toda atenção do Mestre. Que acha que é dona de si mesma e de nós também. Que consegue tudo com aquele sorriso de ex-donzela. E, pior, que acha que é a rainha dos mortos!)

Ai, caiu uma falange do meu dedo...

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